segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Expedição em São Joaquim

Prezados leitores,

O projeto Inventário Arquitetônico do Acervo Cultural de Macaúbas chegou ao povoado de São Joaquim através de duas visitas, realizadas respectivamente em fevereiro e setembro de 2011, mostradas agora nesta publicação. As fotos e levantamentos arquitetônicos foram produzidos por Lucas Figueiredo Baisch e por mim, da qual também assumi a pesquisa histórica, como de praxe, onde as informações orais foram organizadas através dos relatos dos proprietários, responsáveis e demais membros da família, através de perguntas diretivas. A partir do conjunto das histórias individuais, buscamos traçar um perfil para uma história coletiva daquela comunidade.

A antiga povoação iniciou-se com a chegada do fazendeiro Antônio Lúcio de Almeida, vindo do Arraial de Senhora Sant’Ana e que adquiriu aquelas terras, conta Maria Joaquina de Almeida, bisneta de Antônio Lúcio e proprietária de uma das primeiras casas. Diz ela: "aqui só tinha uma meia dúzia de casas". O singelo conjunto habitacional é composto por edificações da arquitetura vernacular recorrente em todo o município, seguindo tendências da arquitetura genuína e popular do Brasil. Este conjunto começou a ser erigido na segunda metade do século XIX. As casas têm a função primordial da habitação e todas carregam em si a infra-estrutura tradicional pautada na sustentabilidade da enorme família à época, qual seja: dotadas de mobílias rústicas em madeira de onde se originam um riquíssimo artesanato do universo sertanejo, paiol, palanque, casa de farinha, engenho, dispensa e quartos, muitas vezes de função mista, servindo também para depósito de outros gêneros alimentícios, entre outros cômodos.

Houve o arrolamento de algumas edificações no perímetro imediato da igreja apenas e que ainda estão preservadas, pois ainda guarda de certo modo uma harmonia, espécie de feição de como era no passado, assim como ocorreu nos demais povoados, então documentamos: a Igreja de São Joaquim, casa de Ana Clara da Conceição, casa de José Antônio de Oliveira Filho e a casa de Maria Júlia de Almeida. Além destas pessoas, foi fundamental conversar com: Maria Jesus Almeida, Misael Eltino de Almeida e José Antônio de Oliveira Filho, entre outros.

Estas edificações sofreram o chamado processo de "substituição de seus elementos" através dos anos e não se observa a pátina, pois não há consenso na comunidade sobre a ideia da conservação com intuito de salvaguardar a originalidade, mas sim apenas reformar sem quaisquer procedimentos, daí a dificuldade de datar e emitir outras afirmações. Mais detalhes sobre localização, dados gerais, história da comunidade e sobre as características particulares de seu acervo arquitetônico podem ser vistos na futura publicação do projeto.


- José Antônio de Sousa –
::::::::: COORDENADOR :::::::::
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Fotos: Lucas Figueiredo Baisch e José Antônio de Sousa

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